Cadarço verde limão
- Você me ama?
A pergunta feita rápida e secamente debaixo do sol escaldante de uma rua movimentada do centro da cidade (não podia haver lugar nem momento mais impróprio) deixou Luísa sem qualquer possibilidade de reação durante algum tempo, após o qual mentiu: não. Tinha esperanças de conseguir esconder para sempre o que sentia, mas seus olhos eram transparentes demais, falavam o que sua boca e orgulho teimavam em negar. Irritava- se consigo mesma por além de não conseguir controlar o que sentia, não ser capaz sequer de esconder o sentimento indesejado. - Não. - Repetiu diante do silêncio zombateiro do seu amigo. Agora além dos olhos, suas bochechas também cismavam em delatar a mentira. Rosas, vermelhas, roxas. Pensou que ia explodir. Seu coração saltava, as pernas cambaleavam imperceptivelmente e o mundo continuava a acontecer. As pessoas passavam apressadas à sua volta sem supor o que sentia. “Por que ninguém esbarra em mim e todos os meus papéis voam fazendo desaparecer o seu rosto da minha frente, pelo menos por uns segundos? Por que aquele carro não invade a calçada e me atropela, nos atropela? Seria bonito nós dois atropelados. Juntos.” Riu do pensamento absurdo.
- Do que você tá rindo?
Nada, respondeu, novamente séria. O silêncio continuava, parecia que se dependesse dele, os dois ficariam ali pra sempre, um em frente ao outro sem coragem de nada. De repente, ela disse:
A pergunta feita rápida e secamente debaixo do sol escaldante de uma rua movimentada do centro da cidade (não podia haver lugar nem momento mais impróprio) deixou Luísa sem qualquer possibilidade de reação durante algum tempo, após o qual mentiu: não. Tinha esperanças de conseguir esconder para sempre o que sentia, mas seus olhos eram transparentes demais, falavam o que sua boca e orgulho teimavam em negar. Irritava- se consigo mesma por além de não conseguir controlar o que sentia, não ser capaz sequer de esconder o sentimento indesejado. - Não. - Repetiu diante do silêncio zombateiro do seu amigo. Agora além dos olhos, suas bochechas também cismavam em delatar a mentira. Rosas, vermelhas, roxas. Pensou que ia explodir. Seu coração saltava, as pernas cambaleavam imperceptivelmente e o mundo continuava a acontecer. As pessoas passavam apressadas à sua volta sem supor o que sentia. “Por que ninguém esbarra em mim e todos os meus papéis voam fazendo desaparecer o seu rosto da minha frente, pelo menos por uns segundos? Por que aquele carro não invade a calçada e me atropela, nos atropela? Seria bonito nós dois atropelados. Juntos.” Riu do pensamento absurdo.
- Do que você tá rindo?
Nada, respondeu, novamente séria. O silêncio continuava, parecia que se dependesse dele, os dois ficariam ali pra sempre, um em frente ao outro sem coragem de nada. De repente, ela disse:
- Eu não quero te amar.
- Eu não perguntei se você quer, eu perguntei se você ama.
Amava, mas tinha tanto amor quanto ódio daquela secura e aparente insensibilidade. Não. Disse mais uma vez, só que agora tão baixo que ela mesma ficava em dúvida sobre se a palavra havia realmente se materializado.
- Mentira. Você ama mas não tem coragem. Eu pelo menos assumo: te amo.
Luísa queria sair correndo dali, deixando livros, papéis, amor, tudo. Era como se todas as palavras tivessem se tornado de repente impossíveis.
Silêncio. Silêncio. Silêncio.
- Eu não perguntei se você quer, eu perguntei se você ama.
Amava, mas tinha tanto amor quanto ódio daquela secura e aparente insensibilidade. Não. Disse mais uma vez, só que agora tão baixo que ela mesma ficava em dúvida sobre se a palavra havia realmente se materializado.
- Mentira. Você ama mas não tem coragem. Eu pelo menos assumo: te amo.
Luísa queria sair correndo dali, deixando livros, papéis, amor, tudo. Era como se todas as palavras tivessem se tornado de repente impossíveis.
Silêncio. Silêncio. Silêncio.
- Você não vai dizer nada?
Slêncio. Silêncio. Silêncio.
- Eu vou embora.
- Espera.- disse agarrando com força os livros que tinha nas mãos, como se assim fizesse ele ficar - É que eu não quero que você vá. Mas também não quero que você fique. Acho que preciso te dizer alguma coisa, te devo isso.
- Você não me deve nada.
- Tá. É que eu prefiro não tentar. É como se eu já soubesse que nunca seria possível, entende? A gente sofreria muito mais, eu pelo menos. Prefiro não sofrer, prefiro que a gente continue sendo só isso na vida um do outro.
- Seria uma mentira.
- Prefiro mentir.
- Pois eu não. Se você não tem coragem pra me amar, acho que a gente não devia se ver mais. Nunca mais.
Nunca mais parecia um tempo excessivamente longo. Teve vontade de chorar, mas controlou as lágrimas que brotavam dos seus olhos negros e tímidos. Concordou com a cabeça. Ele se virou pra ir embora, tranquilo, sereno, como se nada tivesse acontecido. Colocou uma mão no bolso da calça bege desbotada, com a outra jogou enrolou um dos cachos do cabelo que ela adivinhava ter caído no rosto muito mais sério do que merecia a idade e se preparava para dar o primeiro passo em direção a nunca mais quando Luisa:
- Espera. Me dá um beijo.
- Você não pode ser tão contraditória assim. Ninguém pode.
- Até parece que você não me conhece. Ela riu, lembrando de todas as conversas noite adentro que já tinham tido. Ele ficou parado, olhando um camelô que vendia cadarços de tênis coloridos ao seu lado.
Silêncio. Silêncio. Silêncio.
- Você não vai me beijar?
Ele não podia imaginar o quanto seu pedido era humilhante, de quanto lhe custava dizer aquelas palavras. Não podia haver prova maior de amor.
Ele não podia imaginar o quanto seu pedido era humilhante, de quanto lhe custava dizer aquelas palavras. Não podia haver prova maior de amor.
- Você me ama? – Ele perguntou mais uma vez, agora ainda mais rápido e seco.
- Não.
Ele virou- se sem a olhar. Andou, lento e decidido. Luísa queria correr em sua direção, beijá-lo e gritar bem alto que o amava, mas só foi capaz de perguntar sorrindo qual era o preço do cadarço verde limão, após o que foi embora na direção oposta.
Ele virou- se sem a olhar. Andou, lento e decidido. Luísa queria correr em sua direção, beijá-lo e gritar bem alto que o amava, mas só foi capaz de perguntar sorrindo qual era o preço do cadarço verde limão, após o que foi embora na direção oposta.

5 Comments:
oiiiiiiii!!!!
primeira..lalalala!!!!!
mto interessante seu txt!!!
fiquei curiosa p saber o preço do cadarço..rsrssrs[dãaaaa]
mto legal transformar cotidiano em poesia.
verdade em ficção.
beijos!!
bom blog p vc!
Ana lu.
Ótimo texto. Um pouco "mulherzinha", mas ótimo.
Mto bom amiga. Acho que daqui a um tempo, a gente vai ter nosso próximo espetáculo da cia só com nossos blogs! me inspirou, vou escrever hj. beijos, e escreva sempre
Miga, muito legal seu texto!! Qualquer semelhança é mera coincidência??hahaha
Beijão
Bruna
"Mas seus olhos eram transparentes demais, falavam o que sua boca e orgulho teimavam em tentar negar. Irritava- se consigo mesma por, além de não conseguir controlar o que sentia, não ser capaz sequer de esconder o sentimento indesejado."
Muito bom! rs... ... ... ... ...
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