Um arrepio na pele. Uma vontade de grito. Uma vontade de outra. Uma lágrima encharcando o peito. Um monte de lágrimas encharcando o chão. Ah, se ela soubesse o que. tudo mais fácil e simples. Viver sem dor não dava, ela sabia, que pequenez também não tinha. Mas só um pouco menos de tudo. Tanta coisa para pensar, e ainda por cima precisar atravessar a rua, olhar o sinal. Queria agora um mar enorme que engolisse seus olhos, lembrando-lhe de que tudo mais é pequeno. Mas só fumaça e barulhos. Pernas andando rápido, ombros esbarrando nos seus, nunca dá tempo de pedir desculpa que também ninguém liga. Saber o que se quer e seguir em frente. Caminhar, caminhar, caminhar. Por quê? Pra onde? Para quem? Ninguém sabe, mas não importa. Menos ainda para os que têm carro e não ligam de seguir sem rumo. Escapa para a sala de cinema que ali há paz, mas sessão não há, que a deixem ficar ali pequenininha só alguns minutos até que tudo se acalme e ela volte a ter coragem de ver o cinza lá fora.

4 Comments:
Arrepio na pele deu em mim!
muito ótimo!!
"... o cinza lá fora." Perfeito!
E aí?
Cadê?
Estou sendo pressionado!
As massas clamam, fuzilam
raviolam por um molho de palavras.
O que foi feito do afeto e do açúcar?
O coentro levou?
Vamo continuar a palhaçada,
sem perder a literatura jamas!
E tenho dito!
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