Quando perto
Quantas vezes desenhei teu rosto, ensaiei carinhos, adivinhei os gestos com que você enfim me acolheria?
Até a noite em que te encontrei ao lado de uma mulher qualquer: cervejas, cigarros, palavras diluídas logo depois de deixarem os lábios numa sedução barata de quem só quer escapar por um pouco de tempo da solidão. - É assim que ele é, meu Deus. E tive vontade de rir (ou chorar) diante da imagem que me libertava do amor que durante tanto tempo me sufocara. Fiz questão de observar cada detalhe da realidade em que pela primeira vez você se revelava. Frases toscas, cerveja quente, mãos secas e o convite súbito para dividir a cama onde acordava todos os dias ao lado da mulher que até então eu tinha certeza que amava. Sem sequer disfarçar, sem temer. Como foi que eu te inventei tão diferente?
E se hoje prefiro evitar que as nossas vidas se toquem é porque mesmo depois de todo esse tempo não quero saber mais nenhum detalhe do que você é. Ainda prefiro te preservar com uma espécie de pureza e encontro. Como a lembrança de um sonho bom.
Até a noite em que te encontrei ao lado de uma mulher qualquer: cervejas, cigarros, palavras diluídas logo depois de deixarem os lábios numa sedução barata de quem só quer escapar por um pouco de tempo da solidão. - É assim que ele é, meu Deus. E tive vontade de rir (ou chorar) diante da imagem que me libertava do amor que durante tanto tempo me sufocara. Fiz questão de observar cada detalhe da realidade em que pela primeira vez você se revelava. Frases toscas, cerveja quente, mãos secas e o convite súbito para dividir a cama onde acordava todos os dias ao lado da mulher que até então eu tinha certeza que amava. Sem sequer disfarçar, sem temer. Como foi que eu te inventei tão diferente?
E se hoje prefiro evitar que as nossas vidas se toquem é porque mesmo depois de todo esse tempo não quero saber mais nenhum detalhe do que você é. Ainda prefiro te preservar com uma espécie de pureza e encontro. Como a lembrança de um sonho bom.
Quase escondo, quase nego: ainda assim se por acaso te tenho por perto, nem sei. É que de tudo que inventei a única coisa que existe de fato é uma tristeza nos olhos que parece vinda de muito longe e que nem todas as dúvidas, as glórias, os beijos, puderam apagar. Uma tristeza que me comove tanto que do resto esqueço e você volta a ser sonho e eu volto a ser chance. Por isso que ao te entrever ao longe na rua confusa atravesso correndo em direção a outra calçada, antes que seja perto demais.

1 Comments:
Pois é... duas incógnitas convivendo em meio tangrans... aff.
Coisa linda esse texto. Vc também escreve muito bem, Ana.
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