Monday, August 15, 2005

palavras de guardanapo

Ao menos ela podia escrever. Esse era o único consolo que lhe restara após o fim inesperado. Pensava nas horas que não chegara a estar junto, nos programas que não tivera tempo de fazer, nos corpos que nunca se tocaram nus. Sentia saudades de tudo. Saudades de que como poderia ter sido bom. De como ela se sentia especial ao lado dele. Mas ainda podia escrever. As palavras escoriam na folha de papel com tal tristeza que não haveria nunca lágrimas suficientes.
O pior era saber que ela não tinha feito nada de errado. O pior era ter escutado que ele tentou amá-la, mas não conseguiu. Pensou no amor. Pensou e não conseguiu percebê-lo como alguma coisa que se tenta e não se consegue. O amor é. O seu amor era. O dele não.
Rasgou todas as folhas recém cobertas de frases tristes como se assim pudesse diminuir a dor. Pensou em escrever uma história de felicidade. Só porque agora não havia nada mais distante dela do que isso. Mas viu que não se escreve sobre felicidade. Felicidade se sente e depois ela sai pelas mãos e cobre tudo. Pensou no quanto fora feliz em cada pequeno momento ao seu lado mas, engraçado, não escrevera. Mudou de idéia. A tristeza é que sai da gente pra diminuir um pouco, a felicidade não, a felicidade nos preenche e a gente fica um pouco egoísta. Sem saber bem disso não a expõe, porque expor é um pouco dividir.
Desitiu da caneta e resolveu sair de casa. Mas tudo lembrava algum momento dos dois. Ou alguma parte do telefonema da noite anterior (como ele fora covarde...). “Eu acho que simplesmente não gosto de você”. Pontada no estomâgo, coração acelerado e olhos cheios de lágrimas. E se de repente ele me ligasse e dissesse que pensou melhor? Sabia que não. Sentou num bar de esquina e pediu qualquer coisa pra beber. Ah! E uma caneta. Tivera uma idéia ótima prum conto, quem sabe assim se distrairia de si e da sua dor. Veio a bebida e a caneta. Pegou num monte de guardanapos, desdobrou-os. Rapidamente escreveu: foda- se! E por incrível que pareça a dor sumiu.
Pelo menos naquele instante. Mas fez história acabar ali (ao menos nesse conto podia dar um final feliz).

4 Comments:

At 1:05 PM, Anonymous Anonymous said...

Migaaaaaaa, só seu conto mesmo pra me distrair e esquecer das proteínas acessórias da actina q cairão na prova sexta e q nada sei...vc tem q escrever mais, hein? Talento não falta! Amo seus textos!! É uma forma de matar as saudades tb hehehe me liga pra gente conversar, tá? Não esqueça q o universo sempre conspira a nosso favor!!hahaha Beijão

 
At 1:54 PM, Anonymous Anonymous said...

q bom q voltou a escrever! não tenho o hábito de comentar, mas adoro ler seus textos.

 
At 8:08 PM, Blogger Camila Nhary said...

ê. Me identifiquei muuuuuuuuuuito. mas escrever faz bem. é remédio e é de graça. bjo.

 
At 8:36 PM, Anonymous Anonymous said...

Ana, voltei. tive uns problemas aqui no meu computador, mas agora voltei a ser freqüentador assíduo do seu blog. Não pára de escrever, pelo amor de Deus. Ajuda a esquecer os seus problemas e tb os de quem lê (os meus, por exemplo). Grande beijo!! Vamos sair qualquer dia, hein?!

 

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